Antes do almoço

A arte cavalheiresca do Arqueiro Zen

Eugen Herrigel

 

O homem é definido como um ser pensante, mas suas grandes obras se realizam quando não pensa e calcula. Devemos reconquista a ingenuidade infantil, através de muitos anos de exercício na arte de nos esquecermos de nós próprios. Nesse estágio, o homem pensa sem pensar. Ele pensa como a chuva que cai do céu, como as ondas que se alteiam sobre os oceanos, como as estrelas que iluminam o céu noturno, como a verde folhagem que brota na paz do frescor primaveril. Na verdade, ele é as ondas, o oceano, as estrelas, as folhas.

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É preciso que o arqueiro, apesar de toda a ação, se converta num ser imóvel para, então, se dar o último e excelso fato: a arte deixa de ser arte, o tiro deixa de ser tiro, pois será um tiro sem arco e sem flecha; o mestre volta a ser discípulo; o iniciado, principiante; o fim, começo e o começo, consumação.

pág. 18

 

O tiro com arco não persegue um resultado exterior, com o uso do arco e da flecha, mas uma experiência interior, muito mais rica.

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Ninguém é capaz de percorrer o caminho do Zen e nem chegar ao seu final sem a ajuda de um mestre. Sabe também como é decisivo que suas vivências, vitórias e transformações, embora suas, sejam vencidas e modificadas muitas e muitas vezes, até que tudo o que seja seu tenha sido aniquilado. É somente a esse preço que ele pode encontrar a base da experiência que, sintetizada na verdade universal, o desperta para uma vida que não será sua vida pessoal, cotidiana. Transmudado a esse estado, ele vive sem que seja ele que esteja vivendo.

pág. 22-23

 

Não estirem a corda aplicando todas as suas forças, mas procurando dar trabalho unicamente às mãos, enquanto os músculos dos braços e dos ombros ficam relaxados, como se estivessem contemplando a ação, sem nela intervir. Somente quando tiverem aprendido isso é que cumprirão uma das condições para que o tiro se espiritualize.

pág. 30

 

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